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TODOS OS POEMAS DO MULTIVERSOS

28/03/2016 · 14:18 - nenhum comentário

Atendendo aos pedidos do público, aqui estão os poemas que li no show da Lona de Anchieta, na ordem em que foram lidos. Alguns são só trechos, editados com a autorização dos autores. Sugiro que procurem os originais que são fabulosos, mas que ficariam grandes para serem lidos para uma plateia de show.


OU

Você não entendeu nada, como eu poderia
pôr um porre ou um raio de sol ou um Tylenol
sobre a tristeza, se ela é a verdade que fala?

Você não sabe amar, meu bem, não sabe
o que é o amor, como na canção. Que foi
que lhe ensinaram na escola?

Onde você estava quando tudo ruía e as garrafas
seguiam sem mensagens dentro? Seu coração
dormia pesado quando a dor adentrou o quarto

prometendo-nos o inferno. Eu estava sozinho.
Onde você esteve todo aquele tempo? Só eu
posso doer por mim. Que seja assim.

Quando chegar a hora da alegria, saberei fazê-la.
Mas, por enquanto, viverei sem pressa
todas as horas da minha morte.

Eucanaã Ferraz


POEMA EM LINHA RETA (trecho)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo,
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Fernando Pessoa



INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Mário Quintana


POEMA N. 32 (trecho)

quando conheci teu umbigo
guardei-o comigo
na ponta da língua
como a que guarda outra língua
na mesma saliva
como a que guarda a fala
quando esta cala
no instante que toca
a sala de outra boca
tudo que se escreve é uma continuação
da melodia de alguma canção
inchando toda a garganta pouca
com um oceano de ternura
quando então tudo que flutua
(um beija-flor, o sim de um sino,
um arco-íris, almíscar, teu sorriso)
fez tudo adormecer em flor
– como em todo grande amor.

Fabiano Calixto


TROCADILHO DE GÊNERO E COR
para Luciana Fregolente


Amar ele
É mais amargo e cinza que
Amar ela
Que é clara como
A margarida mostrando os dentes
Num sorriso ao Sol

Amar ele
É um passo atrás pra estar
À margem dos seus segredos
Distantes - como os dentes das ondas que
A maré vazante esconde -
Na face escura da Lua.

Amar ela
É perder o medo da queda-livre
- a marca que amar costuma deixar -
Cravar os dentes no Sol e pular.
Amar ela
É precisamente o que eu preciso

Leoni


SAIR

Largar o cobertor, a cama, o
medo, o terço, o quarto, largar
toda a simbologia e religião; largar o
espírito, largar a alma, abrir a
porta principal e sair. Esta é
a única vida e contém inimaginável
beleza e dor. Já o sol,
as cores da terra e o
ar azul – o céu do dia –
mergulharam até a próxima aurora; a
noite está radiante e Deus não
existe nem faz falta. Tudo é
gratuito: as luzes cinéticas das avenidas,
o vulto ao vento das palmeiras
e a ânsia insaciável do jasmim;
e, sobre todas as coisas, o
eterno silêncio dos espaços infinitos que
nada dizem, nada querem dizer e
nada jamais precisaram ou precisarão esclarecer

Antonio Cicero


SIM (trecho)

Aprovo o beijo de outros nos teus lábios
como se fossem meus

sim, aprovo

que te provem outros lábios

hoje é mais um dia em que não estamos
mortos

sinto todo amor como meu

não vou fazer o cerco 

do teu corpo

não vou jogar o desejo contra

o desejo

não faz mal

o amor não subtrai do amor nem uma
gota

não vou deter a morte
com as mãos não vou
como uma criança
tourear o mar

Ana Martins Marques


FILOSOFIA

Para curar amor platônico
Só uma trepada homérica

Eduardo Kac


A TARDE ARDIA COM CEM SÓIS (trecho)

Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

Maiakóvski


DEFESA DA ALEGRIA (trecho)

Defender a alegria como uma trincheira

defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis

das ausências transitórias

e das definitivas



defender a alegria com uma bandeira

defendê-la do raio e da melancolia

dos ingênuos e dos canalhas

da retórica e da parada cardíaca

das endemias e das academias



defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do inverno

das maiúsculas e da morte

dos sobrenomes e das lástimas
do acaso

e também da alegria

Mario Benedetti – tradução: Fabiano Calixto


Poemas que li em outros shows

AP

na minha casa você pode flagrar alguém
se escondendo da rotina num quarto escuro
e batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silêncio
no varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida
e no tédio que é
essa falta de paixão.

Bruna Beber


DEZ SONETÓIDES MANCOS

IV

Também já estive aí, no não-lugar
onde você não se encontra.
Também não me encontrei.

Aliás, foi justamente contra
a tal necessidade de seguir alguma
rota que jurei lutar. Lutei, perdi,

e pronto: agora estou aqui,
a alguns centímetros do meu próprio umbigo.

Se tudo correr bem, também a tua derrota
vai ser de bom tamanho. Pode contar comigo.

Paulo Henriques Britto
 
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