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SOBRE A MEIA-ENTRADA - UMA SOLUÇÃO NEGOCIADA

16/04/2013 · 17:36  · 3 comentários

Eis um tema que dá muita discussão. Eu não tenho uma solução para que todos saiam ganhando. Se trata, para mim, de uma negociação em que o menor número de pessoas perca o mínimo possível.

Vamos partir do que seria uma solução ideal. O Estado banca, como política cultural, as meias-entradas para os jovens – vou usar a palavra “jovens” ao invés de “estudantes” porque o Estatuto da Juventude estendeu o benefício da meia-entrada para todos os jovens até 29 anos. Parece perfeito. Os artistas e os produtores culturais são reembolsados pelo que deixam de receber na bilheteria e os jovens pagam um preço que lhes permita o acesso mais fácil à cultura produzida no país. Matematicamente temos que uma produção que custe R$ 40.000,00 com uma previsão de público de 1000 pessoas pode cobrar R$ 40,00 por ingresso. Mesmo que 60% do público pague meia – o que daria uma receita de R$ 28.000 – produtores e artistas não saem no prejuízo.

Mas será que essa solução é a ideal? Será justo que o Estado arque com R$ 12.000,00 de uma noite de um espetáculo? Quantos espetáculos por ano teriam como sócio todo o povo brasileiro? Será justo que esse mesmo Estado arque com as meias-entradas de um festival internacional, cheio de patrocínios, que custa R$ 500,00 – imagine R$ 250,00 vezes milhares de ingressos? Será justo que nós paguemos a meia-entrada de um garotão que quer comprar um abadá para encher a lata e pegar umas gatas numa micareta qualquer? Isso seria uma política pública aceitável? Eu acho que não. De qualquer maneira, essa é apenas uma pergunta para estimular o pensamento, já que o Estado já deixou claro que esse é um problema a ser resolvido entre os jovens e os artistas. Ele cria o privilégio, mas não assume nenhuma responsabilidade. Em todos os outros casos o Governo intervém como facilitador de redução de preço. Ninguém obriga a Renault a vender carro mais barato para taxista. É o governo que abre mão da sua parte. Nunca entendi porque os artistas são tratados de forma diferente? Talvez porque não tenhamos a força do poder econômico. Os artistas que se virem!

Nos sobram as possibilidades que envolvem diferentes divisões da bilheteria para permitir que uma produção aconteça. Atualmente, no Rio de Janeiro, uma peça tem em média 80% de ingressos vendidos pela metade do preço cheio. Usando o exemplo anterior, para que os mesmos 1000 pagantes reembolsem os custos o ingresso teria que subir de R$ 40,00 para R$ 66,66. A meia-entrada sairia a R$ 33,33. O desconto dos jovens seria de 16,6% - o que está longe de ser uma meia-entrada. Em compensação, pessoas como eu que já têm um pouco mais de idade vão ter um aumento de 66,66%. Ou seja, todo mundo paga mais, o que torna a arte ainda mais elitista. O mais provável é que a frequência dos mais velhos se reduza. Para compensar o produtor pode preferir dobrar o preço do ingresso para que todos paguem meia. E se todos pagam meia, ninguém paga meia. Todos pagam os R$ 40,00 da inteira.

A proposta da cota torna essa história um pouco mais igualitária, ao meu ver. Voltamos ao exemplo acima. Com uma cota de 40% de meia-entrada - acordo que levou 7 anos para ser costurado entre produtores artistas e a UNE -, os mesmos 1000 pagantes teriam que pagar respectivamente R$ 50,00 a inteira e R$ 25,00 a meia-entrada. Os jovens teriam um desconto de 37,5% - mais que o dobro do anterior -, enquanto os não tão jovens teriam um aumento de 25% - menos da metade do anterior.
Já vimos as vantagens. Quais as desvantagens desse sistema? Só os jovens mais rápidos teriam esse direito. Numa temporada de teatro isso não é um problema tão grande. Quer pagar menos, vai num outro dia. Num evento que só aconteça uma vez a cota se torna uma limitação. Mas como eu disse, tem que haver uma solução negociada. Para os produtores seria infinitamente mais simples não haver meia-entrada. Outra desvantagem é quanto à fiscalização da cota. Como garantir que os produtores estão realmente vendendo 40% dos ingressos pela metade do preço? Os borderôs têm que estar disponíveis para fiscalização pública. Há mecanismos previstos na Lei da Meia-Entrada que será votada em plenário, mas sempre poder haver aperfeiçoamentos.

Resumindo, como o Estado se eximiu de responsabilidade do direito que criou, só nos restam as soluções negociadas. E isso envolve maturidade. Sair berrando que é um direito adquirido e que não abre mão dele é desconhecer o que está em jogo. Não se pode fazer política pública com dinheiro privado. Não se pode punir a cultura por ser um segmento com menos poder econômico – e, portanto, político - que as montadoras de automóveis. Além do mais, as cotas garantiriam um preço menor aos jovens. Não se trata de saber de que lado se está. Isso não é um jogo de futebol. E artistas e jovens não estão em lados opostos, estão tentando achar uma solução que traga o mínimo de prejuízos para todos.
 
Tags para este post meia-entrada
 

Perfeito... ...essa como todas as questões envolvendo "direitos" estão permeadas por muita politicagem e hipocrisia!!

Acho extremamente engraçado os "amigos" que falam mal dos políticos e compram meia-entrada de forma irregular... ...é exatamente por causa dessas pessoas que o preço dos ingressos "inteiros" se torna "caro" (digo caro entre aspas, pois cultura não deveria ser precificada).

Conheço pessoas com um Phoneofthegalaxies e que ostentam carros Starfuckersohyeah, e fazem questão de pagar mais barato indevidamente, passando por cima do direito dos outros...

Isso não é cidadania...

Grande abraço!!!!!!

Suarezteles RJ · 26/4/2013 01:53

O que me angustia é: Com certeza a coisa toda exige muita reflexão, mas eu, hoje, aos 48 anos, sou estudante. Como eu, há milhares se esforçando pra fazer o salário cobrir as despesas de manter uma casa, uma família e os custos de passagem e alimentação na faculdade. Outros tantos ainda pagam mensalidade, porque estudam em particulares. Sem a meia entrada, não consigo cumprir a carga horária de atividades culturais que a universidade me pede. Sem a meia entrada, por mais que eu adore, não posso ir a shows, ao cinema, ao teatro... Não dá. Mas eu já passei e muito da faixa considerada jovem. Isso me preocupa: Não existe mais idade ideal para a formação, e o conceito de que meia entrada é pra jovens tá muito velho. Estudante - gente tentando mudar a própria vida por meio do retorno aos estudos - não tem mais idade.
Com certeza não é justo que o cara que pode perfeitamente pagar inteira sem prejuízos pra os outros aspectos de sua vida pague meia só porque é estudante. Mas também não é justo que gente como eu fique privada de participar da vida cultural da sociedade em que vive porque não é mais jovem, e porque o ingresso é - e ele é - muito caro na maioria das vezes. Quantas vezes produções maravilhosas, montagens que prometiam ficaram na vontade porque não dava pra eu pagar oitenta reais de ingresso? A meia entrada pra jovens me exclui - e exclui gente à bessa que eu conheço. A meia entrada pra estudantes eu entendo melhor. O lance é definir que estudantes são estes. A ideia de meia pra jovens é um daqueles mecanismos que não funcionam. Se eu facilito a vida do cara pra que ele venha assistir algo, eu tô dizendo pra ele que esse algo não tem valor. Tanto que eu ofereço vantagens pra estimulá-lo a vir. Acho que ninguém na indústria do entretenimento parou pra pensar nisso ainda. Se eu quase te peço por favor pra vir, é que o que eu faço não vale. E isso é mentira! Produz-se coisas incríveis, capazes de modificar pessoas, em dramaturgia. Em música, nem preciso dizer. Precisamos parar com isso. Quem não pode pagar tem o direito de ser ajudado para que possa. Quem pode não precisa ser incentivado a pagar. O incentivo - o estímulo - é a própria propaganda do evento.

Rosy II Duque de Caxias (RJ) · 3/5/2013 13:45

Eu concordo com a Rosy II em muita coisa. Estou com 30 anos, cursado uma graduação e uma pós-graduação. Além do valor que tenho que empregar nessas atividades, ainda tem o normal de todo ser humano que são as contas fixas do mês.

Embora eu ganhe bem — ao menos em relação a grande maioria —, tenho que me policiar bastante pra conseguir uma ou duas idas no cinema por mês, sair com os amigos um ou dois finais de semana, ir uma vez ao teatro... Enfim. Aqui em Brasília piora drasticamente. O custo de vida é muito alto, pois acredita-se que o poder aquisitivo é correspondente, mas não é. Uma minoria tem grana, mas a grande parcela é formada pela classe média — seja lá o que significa isso nos dias de hoje — que não tem grana sobrando.

O pior dos problemas culturais de Brasília é exatamente esse. Não importa se você paga meia-entrada, por que, na verdade, você paga o preço da inteira, quem paga inteira tá pagando o dobro. Eu viajo bastante e consigo ver essa diferença claramente. Eu fui num determinado show de standup comedy em São Paulo e paguei R$ 30,00, o mesmo show em Brasília custou R$ 75,00 meia-entrada, e é assim pra tudo.

Mas, generalizando a situação, acho válido o que foi explicitado por você, Leoni. Creio que a cota de 40% seja uma boa solução.

Abraços

Moskito Brasília (DF) · 4/6/2013 03:10

 
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