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LETRA, MÚSICA E OUTRAS CONVERSAS - SAMUEL ROSA

23/10/2012 · 18:48  · 4 comentários


Continuando a série de trechos do Letra, Música e Outras Conversas, Samuel Rosa fala sobre o humor nas letras do Skank e sobre a felicidade que dá escrever uma canção.

"L- Sinto falta de humor na música brasileira, os compositores se levam muito a sério. E o Chico Amaral tem esse humor. Cheguei a ficar em dúvida. Vocês são bem humorados, a banda é engraçada. Foi ele quem se adaptou ao Skank ou o Skank é que ficou com a cara dele?

S. Eu ouso responder que foi ele quem se adaptou, porque as coisas que o Chico escreve para outras pessoas não são tão bem humoradas. É mérito dele criar uma identidade para o Skank, conseguir sacar o que é o Skank. E por estar viajando, convivendo mais com a galera, está mais inteirado do público e do que o Skank representa para essas pessoas. Ele está mais dentro da atmosfera e isso facilita para ele. É por isso que eu disse em todas as entrevistas que o segundo disco era mais a essência do Skank do que o primeiro. Foi um disco mais fácil de compor exatamente por causa disso.

Você falou anteriormente que o Chico é inusitado nos temas, mas o que me chama mais atenção é ele ser inusitado nas palavras. Ele acha umas palavras de vez em quando que são muito engraçadas. No ragga do "Jackie Tequila" tem umas palavras muito engraçadas tipo: "coco pra beber, leite de leoa / Jackie é uma menina tão bonita que enjoa / enjôo de vertigem, viagem de avião." Parece uma colagem.

L- Fora a linguagem popular mineira que ele usa. Eu anotei umas frases: "A serpente pinotiza e me tenta", 'não vou pudê", "labutei passando mei mal", a letra toda de "A cerca".

S- É legal você ter falado isso porque é uma coisa que paira na atmosfera Skank. Quando alguém não está legal a gente brinca: "Pô, tô passando mei mal". O mineiro tem isso e a gente acha engraçado. O que é passar "mei mal"? (risos) E o Chico pegou e levou essa coisa pra letra. O "Chega Disso" também é do cotidiano do Skank. Quando a gente está cansado de fazer alguma coisa, quando uma passagem de som está muito demorada alguém manda um "chega disso", virou um jargão. Quando o show está muito longo alguém grita lá de trás: "Pô, chega disso!"
E o "não vou pudê" é por causa de uma história do João Gilberto. Tem uma passagem do livro "Chega de Saudade" do Rui Castro quando o João Gilberto está morando em Nova Iorque e alguém chega para visitá-lo, liga pra marcar um encontro e o João - como se o cara morasse perto dele e fosse fácil encontrar esse amigo -, dá uma esnobada no cara e manda essa: "Ah, não vou pudê." (risos). Quando pinta alguma coisa ruim na banda, algum compromisso chato tem sempre essa brincadeira do "não vou pudê".
E ele vai captando essas coisas. Viajando junto com a banda ele vai pegando o que é o Skank."

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“Eu não sei como é com as outras pessoas, mas tenho dois tipos de felicidade quando crio. Num primeiro momento quando acabo de fazer uma música que está muito legal e posteriormente quando as pessoas gostam. Mas esse segundo momento é menos importante que o primeiro, o compromisso primeiro do compositor é com ele mesmo. Aquilo que ele está criando tem que ser uma expressão fiel do sentimento dele. Não pode ser uma coisa mentirosa, desonesta.

L- Quando faço uma música que gosto fico tocando durante horas. Você também tem isso?

S- Tenho, tenho. Tem vezes que gravo e fico escutando um tempão.

L- Já é uma primeira remuneração pelo trabalho.

S- E a mais importante de todas. Se agora acontece o que está acontecendo - 200 mil cópias vendidas, muito show - é porque já houve um primeiro momento muito prazeroso.
Um grande erro das pessoas é partir direto para o segundo momento, o de agradar os outros. É aí que as pessoas se perdem. É muito significativo pra mim acabar uma música e poder dizer: 'Como está bonito isso aqui!"
 
Tags para este post segunda-edicao  | samuel-rosa  | entrevista  | revisao  | chico-amaral
 

"Não vou pudê", kkkkkkkk já sei que a qualquer momento irei responder alguém assim.
E é verdade, falo isso direto: "tô
passando mei mal". Essas mineirices.. ;)


Sâmia Moraes Carangola (MG) · 23/10/2012 19:23

Puts, tá mto massa!!! (acho que já devo ter dito isso nos trechos anteriores postados no Diário de Bordo.. Que viagem, hein? ;)

Cássia Ribeiro Salvador (BA) · 24/10/2012 03:37

Quero logo ler esse livro todo!
:)

Vívian Quintãn São Fidélis (RJ) · 24/10/2012 11:35

Acabei de ler todos os posts com os trechos dos livros.

Para mim é super interessante saber as histórias das canções...

Certamente irei comprá-lo!! Valeu, Leoni!

Caio Bars São Paulo (SP) · 5/11/2012 14:25

 
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