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LETRA, MÚSICA E OUTRAS CONVERSAS - NANDO REIS 3

08/11/2012 · 16:56  · 2 comentários

http://1001br.blogspot.com.br/2011/06/e-se-tudoaomesmotempoagora-titas-1991.html
Violência e escatologia em "Tudo ao mesmo tempo agora"
Nando Reis fala da mudança de rumos dos Titãs e de violência e escatologia no "Tudo ao mesmo tempo agora"


"L.- O seu trabalho solo parece muito mais com o trabalho que você fez com a Marisa do que com o dos Titãs logo depois. Inclusive, encarei os dois últimos discos da banda como suicidas. Os temas são tão violentos, escatológicos e a tendência minimalista ia acabar dando no silêncio: "Obrigado, de nada / Obrigado a nada". Eu pensava que vocês não iam ter temas mais violentos que esses e nem como falar menos que isso - a não ser calando a boca. E tinha uma coisa instrumental que eu achava que devia estar deixando alguns dos Titãs, inclusive você, meio frustrados porque era muito heavy, um caminho só. Vocês tinham um movimento tão grande de experimentações no "Jesus" e no "Õ Blesq Blom”.

N.- Então vamos voltar a esse ponto. Houve um descontentamento unânime, um esgotamento da forma do nosso show com aquela parafernália toda em que tudo era sequenciado, tudo tinha que ter uma puta monitoração. Era um show mamute. Foi um bom show, mas uma hora deu no saco e a gente quis tirar os sequenciadores, tirar o computador do palco. Isso orientou a composição desse repertório e a gente assumiu formalmente que não haveria mais autores, nós íamos compor juntos. E, pela primeira vez depois de oito anos seguidos, a gente parou por três meses. Quando voltamos pra fazer esse disco queríamos mudar completamente. Não vamos gravar no Nas Nuvens - que foi aquele puta saco, ficar três meses hospedado no hotel Marina -, vamos gravar em São Paulo, alugar uma casa, montar um estúdio, compor tudo juntos. Pela primeira vez não vai ter a musiquinha que fulano fez em casa, a gente vai levar as ideias inacabadas, sentar os oito e tentar desenvolver, tentar construir a música. E vamos chamar o Liminha pra produzir. Quando falamos dessa coisa de assinar todo mundo junto o Arnaldo se incomodou, ele não concordava com essa orientação. Mas a gente queria dar o crédito para todo mundo. O Charles tem um trabalho importante e, como a gente ia fazer junto mesmo, talvez pudesse ser de verdade, não ser só uma fachada, um crédito fictício. E a gente passou três meses na casa do Marcelo compondo.

L.- Vocês compuseram juntos mesmo?

N.- Compusemos, Leoni. Nesse disco, o que tem meu mesmo é "Perfume" que tem a frase "Amor quero te ver cagar". Fiz essa letra junto com o Marcelo num hotel. Não queria fazer uma música desagradável. Queria falar sobre esse dogma do cocô na relação de um casal, como um exemplo de como a intimidade é ambígua - o que você quer dividir e o que você não quer -, de como funciona a relação de um casal, até que ponto ela se mistura e até que ponto ela deve ser mantida distinta. É uma questão interessante. Optei por falar disso através desses exemplos extremos e chocantes. Tinha a intenção de falar de uma coisa que ninguém ia falar. Era de novo o Nando de "Igreja". Mais uma vez uma coisa chocante. Mas tinha um lado bonito que eu gostava: com a pessoa que você ama, você pode ser capaz de acordar de manhã e dar um beijo na boca apesar do mau hálito. Isso pode ser lindo, como pode ser linda ela despenteada. O cocô, o perfume dela era quase metafórico. Não adoro o cheiro de um cocô. Mas é um exemplo radical dessa dúvida dos espaços: "Isso pra mim é perfume, suor, fedor". O dela, não o de qualquer mulher. "Cabelo embaraçado, dentes não escovados / É chupar sua calcinha mesmo na menstruação". Não é que eu queira um modess usado de um banheiro qualquer. "A cabeça do pau faz porra de leite". Daí descambou. (risos) Tinha uma ideia de que chupar o pau fosse uma espécie de coisa pra oxigenar o hálito sexual de manhã, entendeu? Eu achava e acho legal. O riff também é quebrado - não sei se é 7 ou 9 – mas eu achava que aquilo funcionava. Era um rock pesado com um riffão. Eu adorava cantar essa música no show e achava que aquilo era importante no repertório dos Titãs, significativo da nossa falta de escrúpulos para beirar o desagradável."
 
Tags para este post segunda-edicao  | nando  | reis  | entrevista  | revisao  | titas  | tudo-ao-mesmo-tempo-agora  | escatologia  | violencia
 

Nando Reis é muito louco kkkkkkk.
Não conhecia essa música "Perfume", o acompanho a partir da carreira solo.
O que eu mais gosto em algumas letras dele é essa falta de explicação clara. As vezes ouço uma canção onde fico tentando entender o que aquele trecho significa, quando vou ver é algo tão foda e que eu nem imaginava.
Enfim, adoro o Nando e repetindo o que eu já havia falado em um outro Diário de Bordo: Aguardo ansiosamente o livro!! :)

Sâmia Moraes Carangola (MG) · 9/11/2012 00:46

Que letra é essa de Perfume? kkkkkkkkkkk
Tbm não conhecia essa música! Prefiro as músicas românticas do Nando! rs

Vívian Quintãn São Fidélis (RJ) · 12/11/2012 00:44

 
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